BITÁCORA DE SILENCIOS


Desde pequeña supe que los vacíos que la realidad clava en mi alma se llenarían con poesía: L.M. Panero, Pedro Salinas, García Lorca, Félix Grande, Benedetti, Juan Ramón Jiménez, Baudelaire, Guillén, Pessoa, Sá-Carneiro,... L.E.Aute, Silvio Rodríguez, Pablo Milanés, Sabina... ¡Cuánta belleza!, ¡Cuánto espanto!, ¡Cuánto silencio!, ¡Cuántas palabras!

Y desde entonces, todas mis lecturas se han acomodado en esos huecos fríos que la vida había ido horadando y los ha llenado de belleza, espanto, silencios, dolor, ternura… palabras y sensibilidad. Desde casi siempre, he dejado reposar sensaciones, sentimientos de todos los colores, imágenes,… en mis entrañas para después intentar expresarlas con palabras, con la pretensión de comunicar y de hacer sentir emoción. Si consigo que en el interior de los que me lean, tiemble el filamento de una entraña con mis palabras, me doy por satisfecha.

Siempre he buscado la palabra, Licenciada en Filología Hispánica y Filología Portuguesa, las dos lenguas y el gallego me llenan de herramientas que permiten que mi búsqueda sea fructífera y tan heterogénea como los que me precedieron. Mi última aventura en la palabra: traducir del portugués, un descubrimiento con sabor a mar.

Tríptico de mármol (Ed. Huerga y Fierro, 2010) es mi primer libro de poemas en el que reza: LA POESÍA YA NO SÓLO ES BELLEZA, ES RESISTENCIA AL ESPANTO.

Ternura incandescente [Huerga y Fierro 2012]: EL TIEMPO LO-CURA TODO: UNOS AMORES SE TEMPLAN; OTROS, SE CONSIGUEN INCANDESCENTES. Porque el amor es tan contradictorio como la vida.

Tierra con nosotros (Premio poesía 2013, ed. Seleer): La realidad se impone, todos vivimos y bebemos de este tiempo que nos toca. Todos observamos, sentimos y sufrimos por nosotros y por los otros.

Desde la otra orilla (Proyecto Arte Ediciones, 2014), 10 imágenes hermosas acompañan los versos que buscan el renacer en otra orilla, más allá de realidades que asfixian la libertad y la belleza). Un hermoso libro para ser expuesto, más que acomodado en una estantería.

Bitácora de ausiencias (Amargord, 2015), las ausencias marcan el camino vital. La búsqueda de nosotros mismos, de nuestro lugar, de nuestras presencias, son el motor de arranque cada día. Desde los campos de concentración (donde el dolor por los ausentes se ha hecho insoportable pero necesario), visita obligada para ser conscientes del dolor que el ser humano es capaz de causar a sus iguales; hasta el camino de búsqueda de la ternura y la belleza, la palabra dibuja mundos fácilmente reconocibles, crudos y hermosos al mismo tiempo.
Premios:
Premio a la mujer de la cultura de Salamanca (2011), As. Tierno Galván de Santa Marta de Tormes.
Editorial Seleer por el libro: Tierra con nosotros (2013).
Premio Sarmiento de poesía 2015, Valladolid: Por el conjunto de la obra.































miércoles, 10 de agosto de 2016

BITÁCORA DE AUSENCIAS EN LA FERIA DEL LIBRO DE SORIA: 13 de agosto, 19:00 horas

Crítica de José Cercas de Bitácora de ausencias

http://pepecercas56.blogspot.com.es/2016/08/bitacora-de-ausencias-monserrat-villar.html


BITÁCORA DE AUSENCIAS: Montserrat Villar González

La muerte se aferra al óxido y a la piedra. La vida se aferra al verbo amar como labios y abrazos nacidos del agua. Yo recuerdo lo que leí y observo lo que Montserrat ha sentido en sus manos de tinta cuando escribió este poemario, porque el oxígeno y la poesía centinela, otean la tierra de los adjetivos. Porque los ojos y el grito claman por la vida, en este libro que anuncia la luz del día y la noche que apadrina toda ausencia. No todo está perdido: "dijo el poeta". Ella viene a ofrecer su corazón, su vestido de tinta, aguacero y su bondad despeinada y libre. No todo está perdido, juro que en sus poemas he visto y sentido la vida detrás de cada lágrima derramada. La vida prosigue su camino, el dolor se pierde entre los versos y en la tierra crece la flor cuando ella escribe sus poemas más vivos en su bitácora de ausencia. Gracias Montse-

martes, 19 de julio de 2016

PAN 2016, MORILLE

UN año más, el Pan se convierte en el espacio de reencuentro y de comunidad en que la poesía, la palabra, la pintura, la música nos unen con lazos inagotables.
Otro año más con aquellos que se acercan desde Portugal, el lugar y el idioma al que mi alma se empeña en pertenecer. Gracias, Manuel Ambrosio y Celia, por hacerlo posible de nuevo.






Entrevista en Salamancartvaldia, edición de papel de julio de 2016

Gracias, Carmen Borrego, por tus maravillosas fotos para esta ocasión.
Gracias, Salmancartvaldia por esta iniciativa.





viernes, 10 de junio de 2016

Entrevista publicada en Entre Laçadas, un blog literario de Brasil.


http://culturalusobrasileira.blogspot.com.es/2016/06/desta-vez-o-blog-entre-lacadas-arrumou.html

 Desta vez o blog ENTRE LAÇADAS, arrumou as malas e saiu do eixo Brasil/Portugal e foi para na Espanha, onde pudemos conhecer mais uma grande artista, uma mulher, poetisa, tradutora e presidente da  Asociación Cultural PENTADRAMA, mais um presente maravilhoso para o nosso público, que se alegra e se emociona com cada entrevista. Obrigado Montserrat.



a) Olá Montserrat é um prazer tê-la no blog ENTRE LAÇADAS, primeiramente gostaria que você falasse um pouco como foi sua infância.

Olá, obrigada por me ter convidado a este blog literário. A minha infância correu entre os estudos em Ourense (uma cidade de Galicia) e os verãos divididos na minha aldeia natal, Cortegada de Baños e Baiona, uma aldeia de Pontevedra com mar e marinheiros. Do mar da minha infância lembro a infinitude acolhedora do mar, o rumor eterno da água ao bater com as rochas, a liberdade nas horas de praia, juventude, amizade, leituras e silêncios. Um mar ao que tento voltar sempre que posso (ainda que já sejam muitas poucas vezes) e do que tento respirar vitalidade e força com sabor a sal. Da minha aldeia natal lembro o rumor dos pinhos, o verde vale e o rio calado, mas sempre presente. A liberdade de poder entrar e sair da casa a qualquer hora e todos os amigos que nos juntávamos cada ano no mês de agosto e aproveitávamos cada minuto do dia em passeios, música, leituras e jogos. Também a névoa, a chuva e a solidão do inverno, mas a magia que tem essa terra. E como não, as viagens a Portugal, que ficava só a 15 km e era como viajar a outra casa amiga.  


SUELO GRANA
[Cortegada de Baños]


Soy de aquí,
de la niebla baja que impide que el sol
vigile la vida en ese invierno
de sueño y magia.

Soy del rumor del viento
que peina los árboles
en las noches de otoño.

De la música
del verano de la memoria
antes de salir al mar
de otros recuerdos.

Soy tierra y musgo húmedo
y pleno de fría agua, cristal,
remolinos y cuerpo.
[...]





b) Fale-nos como a poesia e o gosto pela cultura surgiram em sua vida? E conte um momento inesquecível na sua vida.

Lembro que na minha casa havia uma biblioteca, que minha mãe juntara na que podia ler enumeráveis novelas e assim, ainda que não muito cedo, comecei a ler tudo o que me chamava à atenção de uma maneira obsessiva. Mas a poesia primeira que conheci foi a través da música de cantores como o cubano Silvio Rodríguez e o espanhol Luis Eduardo Aute, e quis saber dizer coisas como eles diziam. Assim que comecei a ter interesse pela poesia, lendo aos grandes poetas do século XX espanhóis e a tentar escrever tudo o que eu sentia em verso. Depois decidi estudar Filologia Espanhola e mais tarde Portuguesa, principalmente por a paixão que sentia pela literatura. A verdade é que o que me deu o mundo da poesia são muitos momentos inesquecíveis, um dos primeiros, ter conhecido a um cantor, poeta, pintor que admirava desde criança: Luis Eduardo Aute, e que ele fizera a introdução ao meu primeiro livro. Conhecer a Leopoldo María Panero, um dos poetas que eu acho que mais me influenciou na minha escrita... O dia em que li um dos meus livros traduzidos ao português foi especialmente emotivo... Mas todos os momentos em que tenho a possibilidade de conhecer a grandes autores e que são, além disso, grandes pessoas são grandes momentos. Também quando compartilho com o público os meus poemas e sinto que eles podem perceber e sentir o que tento transmitir é muito satisfatório.



c) Como você avalia as novas plataformas de escrita e divulgação que surgiram com a internet (blogs, redes sociais, youtube, sites, etc...)?

Acho que a internet permite democratizar o mundo e a cultura, permite que gente dê diferentes pontos do mundo e possa se relacionar. Doutra maneira, com certeza, nunca nos chegaríamos a conhecer. Mas também permite que, em algumas ocasiões se engrandeçam autores, textos, notícias que realmente não o são. Às vezes tudo se limita a uma questão de número de seguidores, visibilidade mediática, imediatidade... E se perde a perspectiva sobre o que é de qualidade. Assim que tudo tem que ser olhado com visão crítica e com muita precaução e sobre tudo saber que tudo é muito relativo e que o importante é escrever tentando ser um pouco melhor cada dia, sem deixar de estudar, ler, aprender e com a humildade necessária para saber que não somos mais que formiguinhas num enorme formigueiro e não se pode deixar de trabalhar.



d) Como avalia a relação cultural entre Brasil, Portugal e Espanha?

Tristemente não há uma relação. Entre Espanha e Portugal, é algo que sempre comento com meus colegas, estamos a viver de costas. Os espanhóis viajam a Portugal, mas não sentem interesse pela sua cultura em geral e muito menos pela sua literatura, com exceção dos grandes autores que foram traduzidos ao espanhol. E aos portugueses lhe acontece algo semelhante. Mas acho que Portugal é um país muito culto e muito conhecedor da sua história e literatura e isso é muito enriquecedor quando falas com gente do mundo cultural de lá. Respeito ao Brasil, em Espanha desconhece-se quase tudo, com exceção das suas praias, do seu futebol, da sua música... A sua literatura é praticamente desconhecida. Mas quando te submerges nessas duas literaturas é um mundo inesgotável e maravilhoso.


e) Por favor, gostaríamos que você falasse sobre a Asociación Cultural PENTADRAMA, na qual é presidente.

Trata de um grupo de gente que escreve ou simplesmente tem interesse na literatura como leitor e na cultura em geral. Foi criada a associação para dar apoio a aqueles que procuram um lugar de encontro arredor da literatura, apoio nos primeiros momentos que alguém deseja publicar a sua primeira obra...

Organizamos atividades culturais diferentes. Uma dessas atividades são os “Encuentros Literarios” com autores de grande trajetória de toda Espanha principalmente. Deles aprendemos muito e permite ter contato com pessoas que doutra maneira seria difícil conhecer.Também organizamos lançamentos de livros de autores que pedem para fazer e que consideramos que são de qualidade... E fazemos recitais para dar a conhecer a escritura de todos os sócios autores. Em definitiva, tentamos manter aceso o interesse pela cultura.


f) Fale-nos sobre os poetas Galegos.  

Levo muitos anos em Salamanca e na atualidade não conheço o panorama literário galego, mas sempre li e leio os clássicos galegos como Cunqueiro, Bouza-Brey (de Cortegada também), Celso Emilio erreiro, Uxío Novoneira, Rosalía de Castro, Méndez Ferrín,... E não só poesia, mas romances de autores reconhecidos. É uma literatura de grande tradição cultural e com características muito diferentes a outras da península. Uma literatura que tem a ver com a tradição, as lutas por manter a nossa idiossincrasia, a natureza e a relação do homem com essa natureza tão poderosa, a liberdade, a força e vontade dos homens que povoam essas terras, as crenças, a magia, a irrealidade, a resistência... Sempre, voltar a ler em galego é voltar as minhas raízes mais profundas, é como voltar para casa.


g) Para encerrar, você é tradutora. Qual trabalho está realizando atualmente? E além da tradução queremos saber quais os projetos que você está desenvolvendo em sua carreira, e quais surpresas nos aguardam.

Estudei Filologia portuguesa, mas foi por puro prazer pela língua e cultura desse país. Dei algumas aulas, fazia alguma tradução esporádica que me pediam, mas nunca me dediquei profissionalmente ao português, dou aulas de espanhol profissionalmente. Mas há 5 anos conheci a um autor brasileiro, Álvaro Alves de Faria e comecei a traduzir, primeiro para que meus colegas em Salamanca o puderam ler, mas depois foi como uma obsessão, já que uma parte das suas poesias estão muito perto do que eu procuro na poesia: que sangue, que seja solidária com a dor, que expresse, transmita e consiga que o interior da pessoa sinta um terremoto, que não fique ninguém indiferente. E continuo ao traduzir, a estudar a sua obra para chegar a escrever uma tese de doutoramento sobre ele e a experiência da tradução. Os projetos, seguir a trabalhar neste autor, a traduzi-lo para dá-lo a conhecer em Espanha e a partilhar poesia com ele (temos um projeto juntos que sairá no Brasil no próximo ano, possivelmente); conhecer mais autores que me cheguem tanto em língua portuguesa como espanhola e como não, continuar a escrever e compartir poesia.




Facebook: Montserrat Villar González
Blog: montsevillar.blogspot.com
Email: montsevillar@hotmail.com

lunes, 6 de junio de 2016

TRÍPTICO EN MÁRMORE E TENRURA, Nueva crítica literaria de Francisco M. Bouzas

http://brujulasyespirales.blogspot.com.es/2016/06/montserrat-villar-gonzalez-entre-marmol.html

MONTSERRAT VILLAR GONZÁLEZ: ENTRE MÁRMOL Y TERNURA



Tierra en mármol y ternura

Terra en mármore e tenrura

Montserrat Villar González

Traducción de la versión gallega: Xavier Frías Conde

Lastura, Ocaña, 2015, 85 páginas


   En las dos lenguas madre que son la mía y la suya, la original en la que nacieron los poemas y en la gallega que los auriculares del alma escucharon en Cortegada de Baños (Ourense) durante su niñez y adolescencia, me llega hoy, y la gozo, esta antología de tres de los poemarios de Montserrat Villar: Tríptico de mármol (2010), Ternura incandescente (2012) y Tierra con nosotros (2013). En edición bilingüe, con traducción al gallego de Xavier Frías Conde, y alcanzada ya la segunda edición, vuelve Montserrat Villar a descorrer el velo de una realidad tan inasible, en ese laboratorio de la literatura que es la poesía, como con razón afirmó Natacha Michel. Y algo más, porque, como también con razón mantienen algunas tesis de Alain Badiou, la poesía es pensamiento; el poema es una operación de verdad y no solamente un sencillo o florido encantamiento retórico. Por todo ello, me reitero en lo escrito no hace muchos días: los poemas de Montserrat Villar son verdaderas operaciones de lenguaje y pensamiento, tal como hicieron los poetas de “la edad de los poetas”, esa categoría filosófica acuñada por Badiou, en la que inscribe a Mallarmé, Rimbaud, Trakl, Pessoa, Mandelshtam o Paul Celan. Como ellos, y no obstante que en los poemas de Montserrat Villar hallamos ternura, raudales de ternura, sus versos están alejados de la definición romántica.

   Sé que las comparaciones son odiosas, y no las hago. Solamente pretendo apuntar que, en el nudo de sus poemas, estos asumen, con su acción de lenguaje, bellamente modulado, un procedimiento de verdad. Máximas de pensamiento en el punto nodal del poema. Algunas veces bajo el imperativo visible de la muerte, como sostenía Trakl, o arrancando algo de la muerte, como también afirma un poeta de hoy, Juan Carlos Mestre, por tantos admirado. Otros, con la exaltación de la interioridad absoluta (Pessoa / Álvaro de Campos), o esa operación de hacer prosa de sus versos (Pessoa / Alberto Caeiro).

   Ya en la antítesis del título (mármol y ternura), quizá un estilema que Montserrat Villar hereda de la lengua poética rosaliana, con frecuencia cargada de binarismos opositivos, destacan los dos grandes ámbitos de esta antología. La beldad durísima  del mármol y esa ternura serena, y a la vez incandescente que no me atrevería a decir que la poeta hereda de su tierra madre, sino de su condición humana, porque sapiens sapiens  es ubris, desmesura, pero también intensa afectividad, un ser que ríe y llora.

   Si hay algún paradigma que no interrumpe ni vulnera los poemas seleccionados de Tríptico de mármol, ese poemario de Montserrat Villar apadrinado por Luis Eduardo Aute, este es el romántico. Libro duro, libro cruel, radiografía del dolor, según la propia poeta. Palabras de mármol, latigazos terribles en la miel, mas también resistencia al espanto, más allá de su negada  condición confesional. Por sus cortos poemas vemos desfilar las huellas del tiempo, los ojos tristes del frío que inevitablemente envuelve el cuerpo y el alma; el desaliento del presente que oscurece lo en otro tiempo sido bajo las sábanas. O cuando todo sobra, no solo las caricias, y la vida se define como inexistencia (“Me sobro yo, incluso / con mi tiempo, con mi cuerpo / que cubre aquello que / no sólo es alma.” página 21). Y nos vemos obligados a guardar cola por esas vacunas contra la melancolía. Rodeada de mundos de mármol, de seres de alabastro que se alzan fingiendo amor, la vida es igual a la de cientos de cadáveres. Es tal el dolor de la existencia que la poeta acude a Leopoldo María Panero, “el más cuerdo de los poetas”, y una obsesión para la autora, con el encargo de que suba al cielo y muestre allí el dolor, la rabia y lo que es la vida de los de aquí abajo.

   Poemas intensamente existenciales, escritos en las fronteras de la vida y del dolor, que nos conducen a los bajos fondos de la existencia, es decir, a lo más sórdido y miserable de nosotros mismos. Agujeros negros en la macrofísica de la vida.

   La contraposición semántica aludida, se hace palpable y deja sus huellas en los poemas antologados de Ternura incandescente. Ocho poemas cimentados en la base psicoafectiva que nos define, y generadora de una nueva complejidad a nivel interindividual, propia de nuestra especie, solamente en parte compartida con los mamíferos y fuente de alegría, exaltación, dichas y también de dramas y desesperaciones. Montserrat Villar, como escribe Antonio María Albalate, prologuista de Ternura incandescente, se desnuda ante nuestros ojos como una striper de los sentimientos más ocultos. La expresión del amor mediante la magia de las palabras, que dejan de ser lenguaje objeto, representación estricta, para adquirir esa otra más profunda, rodeada de un aura luminosa. Versos en los que la poeta desgrana la felicidad de tener a su lado al amado, arrullada por el deseo entre sudor y espuma; dibuja la geografía del cuerpo amado, de ese Nacho que la ata a la existencia y al que se agarra “como me asgo a la vida”. Y sus palabras no se arrugan ante esa cama deshecha, velatorio de orgasmos. Desde Baiona suplica, otra vez en forma de anáfora que produce un efecto de simetría rítmica y acrecienta el relieve semántico, para que cuando todo acabe “… la sal se confunda /  con la ceniza que la acompaña” (página 67)

   Por último, ocho poemas recogidos de Tierra con nosotros, en los que Montserrat Villar deja constancia de su visión dolorosa de la realidad. La poeta representa en sus versos el drama angustioso que cada día tiene lugar en el mundo, provocado por nuestra forma de vida suicida. Y el lenguaje se convierte en un ceremonial de conjuros frente a los poderes depredadores, mercaderes del mundo, mas también nos atañe a aquellos que nos consideramos inocentes, pero nos callamos. Paisajismo de raíz telúrica convertido en elegía por todo aquello que ese “ridicolissime héroe” (Pascal), el animal dotado de razón / sinrazón hace a diario con nuestro planeta: los cipreses convertidos en espectros sin alma, los árboles obscurecidos por las llamas en la Galicia natal, o el agua de mar hecha de lágrimas.

   Tierra en mármol y ternura reúne una amplia muestra de la singular ruta creativa de Montserrat Villar. Un territorio lírico repleto de contenidos singulares, por los que la poeta navega con maestría, dejando a un lado los excesos barroquizantes, dibujando un mapa poético en el que el registro predominante es la reflexión expectante, beligerante algunas veces, elegíaca por el dolor de la tierra otras, con desnuda y amorosa belleza cuando reconstruye su íntimo periplo amoroso, condesando en una palabra: ternura.

   Y si el lector quiere gozar por partida doble, debe leer la traducción al gallego para anegarse también en una lengua también muy propicia para la conmoción poética que producen las “xostregadas na pel”, “o abalo do amor e dos sentimentos”, “o aglaio elexiaco polas desfeitas que os seres humanos xeramos a cotío sobre o noso berce e o noso fogar”


Francisco Martínez Bouzas



                                                     
Montserrat Villar González

Selección de poemas


TRÍPTICO


“Hay un tríptico

sobre nuestra cama

que recuerda lo que fuimos:

ilusiones a pesar de

nuestro destierro.


Ahora aquí estamos

bajo estas sábanas

viviendo el presente

a pesar del desaliento.


El futuro será lo que quiera

bajo el tríptico,

entre las sábanas,

para llegar a ese mármol.”



PALABRAS DE MÁRMOL


“Cada palabra que escribo

cada palabra que callo,

me acerca más a la muerte

de la que todavía escapo.


Cada silencio que otorgo,

cada sueño que duermo,

me lleva más al borde de la nada

en la que todavía no acampo.


Palabras,

palabras de tinta,

de plata, de aire, de agua.


Palabras,

palabras de siempre,

de ahora, de nunca, de mármol.”



TERNURA INCANDESCENTE

                            Para Nacho, porque me ata a la vida.


“Dibujo la geografía de tu cuerpo,

lunares confusos en la blancura de tu piel.

Tiempo compartido

agazapado mientras me esperas,

líquido y ternura

en la palma de tus caricias.


Te reconozco en este lado de mi vida

observándome con los ojos que se aclaran

bajo el sol de los veranos.


Me sondeas y te preguntas, me preguntas

dónde me encuentro,

y tu abrazo me recupera del abismo

que me convirtió en silencio

antes de tu llegada.


Me quieres, te quiero

a pesar del dolor que causa la vida cotidiana,

la confusión de algunos años de distancia.


Me agarro a ti como me asgo a la vida

que a través de sus ojos

he aprendido a mirar.


Dibujo la geografía de tu cuerpo

y mis manos empapadas en tu olor

recorren el leve espacio que nos separa

en busca de tu anhelado sudor.”



INCIENSO EVITABLE EN GALICIA


“Gime el viento entre la sombra

de árboles ateridos de frío

decrépitos y siniestros

oscurecidos por las llamas.


Llueve, ahora, llueve

bañándolo todo de negra muerte

con olor al miedo ya vivido

al dolor aún eterizado.


Calcinadas masas de huesos

se hunden en las aguas

saltando sus ojos al cielo

mientras esperan un hálito de oxígeno.


La casa se tiñe de barro ceniciento

que devora la poca vida verde que quedaba.


Los cuerpos que respiran

arañan la tierra, limpian el hollín estéril,

esperando comer algo que no resulte

incienso evitable.”


(Montserrat Villar González, Tierra en mármol y ternura, páginas 19, 39, 58, 77)

martes, 17 de mayo de 2016

CRÍTICA DE BITÁCORA DE AUSENCIAS POR FRANCISCO MARTÍNEZ BOUZAS

http://brujulasyespirales.blogspot.com.es/2016/05/bitacora-de-ausencias-isobaras-de.html
REPRODUZCO LA PÁGINA DEL BLOG DE FRANCISCO MARTÍNEZ BOUZAS.

lunes, 16 de mayo de 2016

"BITÁCORA DE AUSENCIAS": ISOBARAS DE HORROR, RABIA Y TERNURA



Bitácoras de ausencias

Montserrat Villar González

Ilustraciones de Ángel Perdomo

Prólogo de María Ángeles Pérez López

Amargord Ediciones, Colmenar Viejo (Madrid), 2015, 88 páginas


   Se ha afirmado, y no sin razón, que los que escriben fuera de Galicia no existen para el sistema literario gallego. Es el caso de Montserrat Villar González, hija de esta tierra (Cortegada de Baños, Ourense). Y lo es por doble motivo: por ser una poeta y traductora que escribe extramuros, llevando dentro, no obstante, esa música mortal que nos ata a la tierra, como escribió Fermín Bouza. Y en segundo lugar, porque según los cánones que pontifican lo que es y no es literatura gallega, Montserrat Villar, pese a que alguno de sus libros, la antología bilingüe traducida por Xavier Frías Conde, Terra de mármore e tenrura (2015), nos permite leer sus versos en la lengua de Rosalía. Montserrat Villar, por circunstancias de la vida, es una poeta “en tránsito” en Salamanca, una ciudad de monumentos y momentos de intenso contenido cultural, formativo y también literario para muchos gallegos y gallegas. Quizás algún día se pueda reunir en una antología, como se hizo con los poetas gallegos residentes en Cataluña y Madrid, los poemas y textos de escritura de escritores gallegos asentados en la “diáspora” de la vieja Helmántica.

   Sea como fuere, la verdadera biografía de un escritor está en sus escritos. Pero la escritura (el poema, el relato, la novela) no sale de la nada, sino de un ser de carne y hueso, que lo es desde la niñez. Y la infancia de Montserrat Villar se alimentó entre los paisajes y rumores que baña o genera el río Miño, en su Galicia natal. Apostaría pues que los vacíos “que la realidad clava en mi alma” y que “se llenarían de poesía”, tal como lo expresa en su poética Montserrat Villar, también se han ido colmando en los paisajes y vivencias de su tierra natal, y han sido fecundados por las aguas del padre de los ríos gallegos. También es verdad que Montserrat Villar, en su ya dilatada obra poética, plasma la condición más esencial para escribir poesía: percibir el universo con su carga profunda de significados para descorrer el velo de la realidad, y, tras un tiempo de reposo en sus entrañas, los ha sabido expresar con palabras sonoras, “con la pretensión de comunicar y de hacer sentir emociones” (de nuevo me remito a su personal poética). Ciertamente en Bitácora de ausencias, el verbo creado y creador (Pedro Salinas), el logos sonoro de sus poemas cumple con esa función de la poiesis y del poeta, en las tres partes en las que la autora estructura el poemario. Tres partes que configuran, no obstante, una singular obra unitaria.

   La primera, “Las cenizas del silencio”, enraizada en tan solo cuatro poemas, encierra en sus estrofas y versos una gran tensión creativa, muy congruente con los momentos en los que una espantosa realidad se clavó  en el alma de la poeta: un viaje a Polonia, la visita a los campos de exterminio de Auschwitz-Birkenau y el esfuerzo / homenaje que la poeta rinde a las víctimas del Holocausto. Poesía habitada por una inhabitual potencia expresiva para hacernos presente el horror, el tormento, el dolor y la muerte. Y aquí surge, una vez más, “la palabra que más ha atormentado la imaginación poética del siglo XX”, como escribe María Ángeles Pérez López en un pórtico introductorio digno del poemario de Montserrat Villar: Auschwitz. A la mente viene el dictum de Adorno: “Escribir poesía después de Auschwitz es un acto de barbarie”. Mas Montserrat Villar, como lo hicieron en su día Primo Levi, Imre Kertész, Wislawa Szymborsca o el mítico Paul Celan, le quita la razón a Adorno, porque, aunque es cierto que ninguna lengua cuenta con las suficientes palabras para expresar la ofensa recibida por la humanidad, un poeta no puede dejar de escribir, como mantuvo Paul Celan. Y suyo precisamente es el más célebre y estremecedor poema sobre Auschwitz, “Muerte en fuga”.

   Monserrat Villar reescribe pues el infierno inimaginable, la irracional monstruosidad del campo de exterminio, y, en sus estrofas y versos, nos damos de bruces con el espanto. La poeta no admite que un mundo de palabras silencie los horrores del pasado; recuerda a los muertos que “dejaron caer el peso de sus cadáveres sobre los otros” y apuesta por la vida y sus sueños que permitan suavizar el silencio que asfixia la voz de los masacrados. Ese millón y medio de almas, los cadáveres amontonados que esperan solo ser cenizas, como los recuerda la poeta en esas cortas estrofas de un largo poema, “Breviario”; y por los que implora en el poema “Oración por los derrotados. Una súplica en forma de anáfora que intensifica el relieve semántico, dirigida no solo a y por los muertos en el Lager, sino también por nosotros para que nunca olvidemos, porque Auschwitz, como explicó Elie Wiesel, Premio Nobel de la Paz y también deportado, desafía la imaginación y la percepción. Solamente se somete a la memoria. Mas si hay un poema en esta primera parte que testimonie el pavor, este es sin duda “Cóncavo silencio”. Precedido de un esclarecedor epígrafe de Antonio Orihuela (“Auschwitz no es historia, era premonición”), la poeta rememora “el grito cóncavo del horror”, “el dolor cóncavo de vuestros cuerpos” que macera nuestra piel. Un poema merecedor, en mi opinión, de figurar en la antología poética de muerte y vida que significó y sigue significando Auschwitz. Y digo vida siguiendo a Hölderlin (“Nada viviría que no tuviera esperanza”), porque, en la obra de arte, la muerte es tan solo un pálido reflejo, porque es la vida, quizás transmutada, la que al final triunfa.

   “Andamio y tormentas” es el título con el que Montserrat Villar rotula la segunda parte, los veintidós poemas que constituyen el andamiaje del poemario. Poemas para sobrevivir, para sujetarse a la vida, para no derrumbarse, que hablan de abandonos invisibles, del hambre que tatúa todo el cuerpo, del llanto que testimonia que sigue viviendo, que urgen a liberarse del terror de estar viva. La poeta que gritó lo ocurrido en Auschwitz-Birkenau, dirige ahora la rabia de sus gritos hacia el propio yo. Y con poemas de tonalidad expresionista, la voz poética explora la dimensión existencial, la finitud, el duelo con final previsto entre la vida, una obra que nunca termina de construirse, y su desenlace, la muerte. Versos que exploran lo que somos, y lo hacen con un lirismo frecuentemente explosivo, radical, con un léxico duro, furioso, arrebatado que expresa cabalmente esa “ubris” psico-afectiva constitutiva de nuestra especie. Dolor, terror, espanto existencial, pero sin olvidarse de la mejor coraza: el abrazo amoroso. Un panegírico dedicado a Leopoldo María Panero, un pota admirado por Montserrat Villar, le pone el ramo a esta parte, preñada así mismo de dolor, pero también de esperanza.

   Concluye Bitácoras de ausencias con dos largos poemas que le dan forma y contenido a la sección “Ausencia de la memoria”. Dos poemas metagenéricos, construidos desde una deliberada transgresión de géneros, en los que tienen cabida y acaban por confundirse lo poético y lo narrativo. Poemas y prosas poéticas que cartografían el personal periplo repleto de ausencias y de presencias, y que, desde la infancia y sus recuerdos y a través del océano de la vida, arriba en ese lado del mar que es el presente, un presente compartido: “el mío y el suyo sin fantasmas / sin vampiros que me sangren / sin conciencia ni recuerdos”. Y que es así mismo un regreso al paraíso, al incendio de la ternura, ya que la vida se construye con mimos y deseos.

   Versos, estrofas, poemas que configuran un personalísimo magma lírico, un cuaderno de bitácora, repleto de operaciones de lenguaje y pensamiento. Y aunque no desprecie la poeta las gracias fonocéntricas, no es cautiva de la métrica ni de la rima, de versos aprisionados; versos libres en su mayoría los suyos, mas no carentes de forma. Poemas escritos sin palabras vanas, alejados de excesos barroquizantes, pero rebosantes de tensión, fuerza, emotividad, bríos y fulgores. Poesía pues para ser pensada y gozada.
Francisco Martínez Bouzas

Montserrat Villar González
Selección de poemas

CONCAVO SILENCIO

(Auschwitz-Birkenau, abril 2014)


Auschwitz no es historia,

era premonición

Antonio Orihuela

“El grito cóncavo del horror en los ojos

se clava

en la cara de los que silenciaron vuestras muertes,

en las manos que ahogaron vuestras vidas,

en la mente de los que prefieren ignorar vuestra ausencia,

en la espalda de quienes, todavía, os buscan,

en el alma de aquellos que no olvidan.


El dolor cóncavo de vuestros cuerpos

nos envuelve macerando

nuestra piel hasta llegar a la inconsistencia

de estas cenizas de las que somos cómplices.


En la hiel de los que os despidieron

se agarra el horror ante la noche

en la que los sonidos expulsan ecos

que mueren a la muerte misma.”


…..


AQUÍ ESTOY Y AQUÍ ME SOSTENGO


“Aquí estoy y aquí me sostengo

con una mano en tu cordura

y con otra en el desenfrenado miedo

a esta falta de futuro que nos corresponde.


Aquí estoy y aquí me acieno

subida a este andamio que es la vida

a esta obra que nunca se construye

a estas goteras que no precipitan.


Aquí estoy y me derrumbo

en esta nocturna tarde

en que no comparto abrazos

bajo los escombros de esta oscuridad.


Aquí estoy sin equilibrio

al  perder la sonrisa ante lo imposible

esperanza de vivir en un mundo

de sueños, caricias y sólidos lazos.”


…..


NECESITO ROMPER LAS MANGAS


“Necesito romper las mangas

de esta camisa de fuerza que me abraza

y liberarme del terror de estar viva.

Necesito rasgar estas mangas

Desalojar la nada que me puede

ahogar este incansable llanto

asesinar mis miedos y vergüenza.


Necesito crear un abrazo

que llegue hasta ti sin recuerdos

sin pisadas de pies que me persiguen.

Sin demoras de horas que se han ido

entre sombras y uñas clavadas en los ojos

sin ningún ayer, sin nada.”


…..


PARIA POR NO PARIR


“Paria por no parir.

Paria por parir ausencias.

Paria por parir pena

o palabra sin sentido.

Paria por parir silencios

Paria por finitud.

Paria por desesperanza y desespero.

Paria por parir nada.”


…..


PANEgiRicO, EN ESTE DÍA DE MUERTE Y SILENCIO

(A Leopoldo Mª Panero, el día de su muerte)


“Que la sangre

que cuaja en el cuello de los ahorcados

sirva para calmar

tu dolor y enjugar

en tus ojos las lágrimas

que se convirtieron

en palabras.


Que la violencia

con la que tú mismo te agredías

se convierta en belleza

que calme tus entrañas

y, ahora, ya, sólo grites

para disfrutar el eco de tus versos.”


(Montserrat Villar González, Bitácora de ausencias, páginas 22, 36, 52, 54, 63)

UN GRAN MAESTRO

UN GRAN MAESTRO
UNA GRAN PERSONA

Tomando un café antes de empezar

Tomando un café antes de empezar

Presentación de Tríptico de mármol

Presentación de Tríptico de mármol
De camino a la Plaza Mayor

Los últimos consejos antes de entrar

Presentación de Tríptico de Mármol

¡Que buen público!

¡Que buen público!

Fernando Maés tocando Vacunas para la melancolía

Andrés Sudón tocando Palabras de Mármol

Una muy buena gente.

Una muy buena gente.

TODA LA FAMILIA,...