
EL POEMA Y LO IRREPRESENTABLE: DOBLECES VERTIGINOSOS, RUMORES IMANENTES
(RUMORESO
POEMA E O IRREPRESENTÁVEL: DOBRADURA VERTIGINOSA, RUMORES IMANENTES )
Traducir la realidad a través del poema y salvarse del
abismo que representaría la incapacidad para expresarse. Pensemos
en Platón. Llegar de la contemplación del sol con la razón, atravesar el mundo con la
certeza de que formamos parte de la realidad que no hemos escogido pero sí
podemos superar, y bajar a la caverna que Platón presumió superable. El poeta
invierte el orden, absorbe la realidad, se sensibiliza ante ese mundo
contradictorio, hermoso y terrible al mismo tiempo, y acude a ese mundo
interior que refleja las sombras a través de la palabra. Una palabra, a veces
demasiado limitada, una palabra que necesita de la alegoría, el símbolo y la
música para representar lo irrepresentable. Una palabra que aprehende ese conocimiento
que el mundo exterior nos da, la belleza y la crueldad, la contradicción… e
intenta expresar lo inexpresable para convertirlo en esencia. Una esencia que,
vertiginosamente, trata de construir el mundo a través de elementos que nacen
en la razón, en la intuición y en la sensibilidad al mismo tiempo. Una esencia
que necesita ser universal para que los otros, la recojan de la cueva y, en el
camino inverso, la transformen, observando la realidad, en su propia razón y
expresión inmanente del mundo.
El poema es esta esencial visión de lo irrepresentable,
esta intuición. Como apunta Gamoneda, lo innombrado no tiene existencia intelectual,
es lo desconocido y lo desconocido necesita de un lenguaje de “revelación”. La
poesía genera ese conocimiento de la realidad que ella misma revela y crea.
El poeta es un ser viviente en una realidad, una
realidad que se transforma en el interior de ese ser humano y se convierte en
un elemento subjetivo, significativo, sensible y esencial que cobra vida a
través del poema. El poeta sólo a través de lo que Jackobson denomina la
palabra en el lenguaje poético (con calidad fónica, morfosintáctica y léxica)
da sentido último a esa realidad: ¿Cómo entender lo que delante de nosotros
sucede a diario: la muerte de inocentes o la belleza del amanecer? ¿Cómo
transmitir todo lo que en nuestro interior se remueve cuando contemplamos
cualquiera de estos hechos? ¿Cómo comunicar lo que va más allá de lo
simplemente racional? ¿Cómo expresar ese vértigo que la propia realidad nos
produce? Es esa palabra anteriormente definida, ese poema que la acoge y esa
capacidad simbólica la que exprime lo indecible. Todorov lo definió: lo que los signos no
simbólicos no consiguen transmitir. Estos símbolos son intraducibles y su
sentido es plural: inagotable, beben de la universalidad de la propia
intuición.
Símbolos que salen del poeta para alcanzar el
conocimiento y la traducción máxima de la realidad y llegan al lector que los
convertirá en fuente inagotable de conocimiento según cada experiencia vital.
Así, considero la función comunicativa y salvadora del
poema. Función salvadora que ayuda al poeta a vencer el abismo (la poesía ya no
sólo es belleza es resistencia al espanto), un abismo que llena al poeta de
dolor y espanto y que al conseguir traducir en palabras, lo aleja de la
oscuridad y del silencio inhabitado. Una función comunicativa que se muestra al
compartir el poema y hacer cómplices a los demás de ese intento de representar
lo que racionalmente se aprecia como inaccesible, ininteligible, inasumible… El
propio Panero, asesinó simbólicamente en más de 100 poemas a su madre,
comunicando el dolor y la soledad que su imagen le causaba. Todos exorcizamos,
a través de la palabra que buscamos perfecta, la realidad que nos ataca y
podría llegar a destruirnos. Todos sobrevivimos gracias al poema como si se
tratara de un suero que se inyecta en nuestra sangre para aceptar la vida, para
tratar de entenderla o, al menos, combatirla. Todos necesitamos de la belleza,
de la magia, de la posibilidad de transmutación del horror para sabernos vivos
y reales en este mundo que podría desfigurar cualquier existencia llegando a través
de la palabra la verdadera medida de las cosas: ese es el poder del verso.
Todos
esperamos
Que la palabra se haga carne que
cubra los huesos que la injusta derrota
provoca.
O en palabras de Luis
Serguilha
AVES A ROLAREM nas baionetas
do recife
com poemas e cançoes para
cello
Philip Glass nos ouvidos das
aves
que se desequilibravam entre
rochas luciferinas
os arames voadores
engordavam
sanguinariamente suas
penugens nos fragmentos dos atalhos
e nos sustos dos mergulhos:
a líquida certeza
daquelas vidas sem retorno
(ao contrário do fusível das
ondas)
O
POEMA E O IRREPRESENTÁVEL: DOBRADURA VERTIGINOSA, RUMORES IMANENTES
Traduzir
a realidade através do poema e se salvar do abismo que representaría a incapacidade
de expresar-se. Pensemos em Platão. Chegar da contemplação do sol com a razão,
atravessar o mundo com a certeza de que fazemos parte da realidade que nós não
escolhemos, mas podemos vencer, e baixar até a caverna que Platão imaginou
superável. O poeta inverte a ordem, absorve a realidade, sensibiliza-se perante
esse mundo contraditório, belo e terrível ao mesmo tempo e acode a esse mundo
interior que reflecte as sombras pelo chão. Uma palavra, por vezes, demasiado
limitada, uma palavra que precisa da alegoria, o símbolo e a música para
representar o irrepresentável. Uma palavra que apreende esse conhecimento que
nos dá o mundo exterior, a beleza e crueldade, a contradição.....e tenta
expressar o inexpressável para convertê-lo em essência. Uma essência que,
vertiginosamente, tenta construir o mundo através de elementos que nascem na
razão, na intuição e na sensibilidade, ao mesmo tempo. Uma essência que precisa
ser universal para ser recolhida da caverna pelos outros, e no caminho de
volta, ser transformada, observando a realidade na sua própria razão e
expressão imanente do mundo.
O poema é esta visão
essencial do irrepresentável, é esta intuição.
Como indica Gamoneda, o inominado não tem existência intelectual, é o
desconhecido e o desconhecido precisa de uma linguagem de
"revelação". A poesia gera esse conhecimento da realidade que ela
própria revela e cria.
O poeta é um ser vivo numa
realidade, uma realidade que se transforma no interior de esse ser humano e
torna-se um elemento subjetivo, significativo, sensível e essencial que ganha
vida através do poema. O poeta apenas através do que Jakobson chama a palavra
na linguagem poética (com qualidade fónica, morfossintática e lexical) dá
sentido último a essa realidade: Como entender o que acontece na frente de nós
todos os dias: a morte de inocentes ou a beleza do amanhecer? Como transmitir
tudo o que mexe dentro de nós quando olhamos para qualquer um desses eventos?
Como comunicar o que vai além do meramente racional? Como expressar essa
vertigem que a própria realidade produz em nós? É aquela palavra acima
definida, aquele poema no que é acolhida, e aquela capacidade simbólica que
espreme o indizível. Todorov definiu isto: aquilo que os signos não simbólicos
não alcançam a transmitir. Estes signos são intraduzíveis e o seu significado é
plural: inesgotável, bebem da universalidade da própria intuição.
Símbolos que saem do poeta
para alcançar o conhecimento e a tradução máxima da realidade e chegar ao
leitor que se os vai tornar numa fonte inesgotável de conhecimento segundo cada
experiência de vida.
Assim, considero a função
comunicativa e salvadora do poema. Função que ajuda o poeta para vencer o
abismo (a poesia não é apenas beleza é resistência ao espanto) um abismo que
preenche o poeta de dor e de espanto e que ao conseguir traduzir em palavras,
leva-o para longe da escuridão e do silêncio. Uma função comunicativa que se
apresenta ao partilhar o poema e fazer cúmplizes aos outros de aquela tentativa
de representar o que racionalmente se aprecia como inacessível, incompreensível,...
O próprio Panero, assassinou simbólicamente em mais de 100 poemas a su mãe,
comunicando a dor e a solidão que lhe produzia a sua imagem. Todos nós
exorcizamos, através da palavra que procuramos perfeita, a realidade que nos
ataca e poderia eventualmente destruir-nos. Todos sobrevivemos graças ao poema
como se fosse um soro que é injetado no nosso sangue para aceitar a vida, para
tentar entendê-la ou, pelo menos, combatê-la. Todos precisamos da beleza, da
magia, da possibilidade de transmutação do horror para nos saber vivos e reais
neste mundo que poderia desfigurar qualquer existencia chegando atravês da palabra
á verdadeira medida das coisas : este é que é o poder do verso.
Todos estamos à espera de
cubra
os ossos que a injusta derrota provoca.
Ou também em palavras de
Luis Serguilha
AVES
A ROLAREM nas baionetas do recife
com
poemas e cançoes para cello
Philip
Glass nos ouvidos das aves
que
se desequilibravam entre rochas luciferinas
os
arames voadores engordavam
sanguinariamente
suas penugens nos fragmentos dos atalhos
e
nos sustos dos mergulhos: a líquida certeza
daquelas
vidas sem retorno
(ao
contrário do fusível das ondas)