BITÁCORA DE SILENCIOS


Desde pequeña supe que los vacíos que la realidad clava en mi alma se llenarían con poesía y de lecturas que me han hecho como soy. ¡Cuánta belleza!, ¡Cuánto espanto!, ¡Cuánto silencio!, ¡Cuántas palabras!

Y desde entonces, todas mis lecturas se han acomodado en esos huecos fríos que la vida había ido horadando y los ha llenado de belleza, espanto, silencios, dolor, ternura… palabras y sensibilidad. Desde casi siempre, he dejado reposar sensaciones, sentimientos de todos los colores, imágenes,… en mis entrañas para después intentar expresarlas con palabras, con la pretensión de comunicar y de hacer sentir emoción. Si consigo que en el interior de los que me lean, tiemble el filamento de una entraña con mis palabras, me doy por satisfecha. Si a través de la poesía, la realidad aparece sin distorsión y conseguimos abrir los ojos de los que nos escuchan, crear la duda ante lo aprendido y aceptado por costumbre, dar otra visión posible, otra valoración a la vida, convertirnos en más solidarios, más sensibles, más HUMANOS, no hay nada perdido.

Siempre he buscado la palabra, Licenciada en Filología Hispánica y Filología Portuguesa, las dos lenguas y el gallego me llenan de herramientas que permiten que mi búsqueda sea fructífera y tan heterogénea como los que me precedieron. Mi última aventura en la palabra: traducir del portugués, un descubrimiento con sabor a mar.

Tríptico de mármol (Ed. Huerga y Fierro, 2010) es mi primer libro de poemas en el que reza: LA POESÍA YA NO SÓLO ES BELLEZA, ES RESISTENCIA AL ESPANTO. OBRAS Tríptico de mármol (2010). Prólogo de Luis Eduardo Aute Ternura incandescente (2012) Tierra con nosotros (2013), traducido al portugués como Terra habitada (2014)9​ Desde la otra orilla (2014) Tríptico de mármore, escolma (2014), antología en gallego de su obra traducida por Xavier Frías Conde. Bitácora de ausencias (2015), donde recoge el sufrimiento y la desesperanza de los internados en Auschwitz.10​ Aprehenderse, Ed. Amargord, 2017. Poemas de Montserrat Villar y pinturas de Juan sebastián González. Con dos almas por palabra /De maos dadas; poemas mano a mano con älvaro Alves de Faria. lf ediciones, 2017. Vida incompleta, Edit. Lema D´Origem, 2018. Antología poética traducida y editada en Portugués. Sumergir el sueño/ Sulagar o soño (2019), poemario bilingüe castellano/gallego con prólogo de Juan Carlos Mestre.11​ Somos rama/amar somos: eidición de Ejemplar único. (2020) Somos rama/amar somos y Letanía para insomnes, Ed. Lastura 2021. Los abrazos del mar /Os abrazos do mar, Ed. Lastura 2022. (Castellano-gallego). Ubuntu, ed. Lastura, 2023. Resonancias Rebeldes, antología de poesía en español, ed. Tesseractum, Brasil, 2024. Además sus obras han aparecido en numerosas antologías, entre las que destacan: A Pablo Guerrero en este ahora, Patxi Andión, Con toda la palabra por delante, VII Cuaderno de profesores poetas, Campamento dignidad, Poemas para la conciencia, Encuentros y palabras, Encontrados, Esferografías y Poesía amiga y otros poemigas para Aute.10​ Ensayos y artículos publicados • Cartas de Abril para Júlia: Texto crítico incluido en Um poeta brasileiro em Portugal (Ed. Temas origináis), Brasil, 2014 • Artículo: From Language skills to teaching prowess, incluido en The journal of Communication and Education Laguage Magazine, mayo 2014. • Escribir en la orilla de otros horizontes: Rev. Poemad, nº 5 (Poemad.com) • Ser poeta, Rev. Literaria portuguesa: As artes entre as letras, marzo 2014. • Álvaro Alves de Faria, traducción; ed. Digital, 2015. • A arte poética. Experimentação da impossibilidade. (Arte poética. Emperimentación de la imposibilidad). Editora Pasavento, Sao Paulo, 2018. • Marco Lucchesi: Caminar para ver. Caminar para creer. Os Olhos do deserto. Sao Paulo. • Prólogo de la obra de Marco Luchhesi: Mal de amor. Sao Paulo, 2018. • Arte y educación: por mí y por mis compañeras, incluido en el libro de ensayos: Educaçao e linguagems, da multiplicidade dos conceitos. BT Acadêmica, Sao Paulo, Brasil, 2020. • Álvaro Alves de Faria, poesía e vida inteira, Revista Caliban, Lisboa, junio 2020. • El mar o la marejada vencida de Alejandra Pizarnik, Editorial Huso, 2021 (incluido en Alejandra Pizarnik y sus múltiples voces) • Literatura y educación: ¿queremos enseñar a pensar?, Antología: Educaçao e literatura: o diálogo necessário. Kotter Editorial. 2021 (Curitiba e Lisboa). • A procura do sentido humano nas obras do Marco Lucchesi: Os olhos do deserto / Adéus Pirandello. I Colóquio Internacional Marco Lucchesi, Roma, 2024. Ed. Tesseractum, Brasil Manuales Portugués empresarial y comercial. Curso inicial de portugués comercial (2007 y 2010). Curso de profesores de ELE, Luso-española de ediciones. El verbo en español, Edit. Colibrí, Bulgaria (2010). Traducciones firmadas por la autora • Cartas de Abril para Julia, traducción de la obra de Álvaro Alves de Faria, Trilce Ediciones, 2014. • Motivos ajenos / Residuos, traducción y prólogo de la obra de Álvaro Alves de Faria, Linteo, 2015. • Desvivir/Desviver, traducción y prólogo de la obra de Álvaro Alves de Faria, Tau Editores, 2016. • Elipse e refração / Elipsis y refracción, (Marco Lucchesi), Ed. Lastura, 2021. • Adiós Pirandello (Marco Lucchesi), Ed. Lastura, 2024.

viernes, 10 de junio de 2016

Entrevista publicada en Entre Laçadas, un blog literario de Brasil.


http://culturalusobrasileira.blogspot.com.es/2016/06/desta-vez-o-blog-entre-lacadas-arrumou.html

 Desta vez o blog ENTRE LAÇADAS, arrumou as malas e saiu do eixo Brasil/Portugal e foi para na Espanha, onde pudemos conhecer mais uma grande artista, uma mulher, poetisa, tradutora e presidente da  Asociación Cultural PENTADRAMA, mais um presente maravilhoso para o nosso público, que se alegra e se emociona com cada entrevista. Obrigado Montserrat.



a) Olá Montserrat é um prazer tê-la no blog ENTRE LAÇADAS, primeiramente gostaria que você falasse um pouco como foi sua infância.

Olá, obrigada por me ter convidado a este blog literário. A minha infância correu entre os estudos em Ourense (uma cidade de Galicia) e os verãos divididos na minha aldeia natal, Cortegada de Baños e Baiona, uma aldeia de Pontevedra com mar e marinheiros. Do mar da minha infância lembro a infinitude acolhedora do mar, o rumor eterno da água ao bater com as rochas, a liberdade nas horas de praia, juventude, amizade, leituras e silêncios. Um mar ao que tento voltar sempre que posso (ainda que já sejam muitas poucas vezes) e do que tento respirar vitalidade e força com sabor a sal. Da minha aldeia natal lembro o rumor dos pinhos, o verde vale e o rio calado, mas sempre presente. A liberdade de poder entrar e sair da casa a qualquer hora e todos os amigos que nos juntávamos cada ano no mês de agosto e aproveitávamos cada minuto do dia em passeios, música, leituras e jogos. Também a névoa, a chuva e a solidão do inverno, mas a magia que tem essa terra. E como não, as viagens a Portugal, que ficava só a 15 km e era como viajar a outra casa amiga.  


SUELO GRANA
[Cortegada de Baños]


Soy de aquí,
de la niebla baja que impide que el sol
vigile la vida en ese invierno
de sueño y magia.

Soy del rumor del viento
que peina los árboles
en las noches de otoño.

De la música
del verano de la memoria
antes de salir al mar
de otros recuerdos.

Soy tierra y musgo húmedo
y pleno de fría agua, cristal,
remolinos y cuerpo.
[...]





b) Fale-nos como a poesia e o gosto pela cultura surgiram em sua vida? E conte um momento inesquecível na sua vida.

Lembro que na minha casa havia uma biblioteca, que minha mãe juntara na que podia ler enumeráveis novelas e assim, ainda que não muito cedo, comecei a ler tudo o que me chamava à atenção de uma maneira obsessiva. Mas a poesia primeira que conheci foi a través da música de cantores como o cubano Silvio Rodríguez e o espanhol Luis Eduardo Aute, e quis saber dizer coisas como eles diziam. Assim que comecei a ter interesse pela poesia, lendo aos grandes poetas do século XX espanhóis e a tentar escrever tudo o que eu sentia em verso. Depois decidi estudar Filologia Espanhola e mais tarde Portuguesa, principalmente por a paixão que sentia pela literatura. A verdade é que o que me deu o mundo da poesia são muitos momentos inesquecíveis, um dos primeiros, ter conhecido a um cantor, poeta, pintor que admirava desde criança: Luis Eduardo Aute, e que ele fizera a introdução ao meu primeiro livro. Conhecer a Leopoldo María Panero, um dos poetas que eu acho que mais me influenciou na minha escrita... O dia em que li um dos meus livros traduzidos ao português foi especialmente emotivo... Mas todos os momentos em que tenho a possibilidade de conhecer a grandes autores e que são, além disso, grandes pessoas são grandes momentos. Também quando compartilho com o público os meus poemas e sinto que eles podem perceber e sentir o que tento transmitir é muito satisfatório.



c) Como você avalia as novas plataformas de escrita e divulgação que surgiram com a internet (blogs, redes sociais, youtube, sites, etc...)?

Acho que a internet permite democratizar o mundo e a cultura, permite que gente dê diferentes pontos do mundo e possa se relacionar. Doutra maneira, com certeza, nunca nos chegaríamos a conhecer. Mas também permite que, em algumas ocasiões se engrandeçam autores, textos, notícias que realmente não o são. Às vezes tudo se limita a uma questão de número de seguidores, visibilidade mediática, imediatidade... E se perde a perspectiva sobre o que é de qualidade. Assim que tudo tem que ser olhado com visão crítica e com muita precaução e sobre tudo saber que tudo é muito relativo e que o importante é escrever tentando ser um pouco melhor cada dia, sem deixar de estudar, ler, aprender e com a humildade necessária para saber que não somos mais que formiguinhas num enorme formigueiro e não se pode deixar de trabalhar.



d) Como avalia a relação cultural entre Brasil, Portugal e Espanha?

Tristemente não há uma relação. Entre Espanha e Portugal, é algo que sempre comento com meus colegas, estamos a viver de costas. Os espanhóis viajam a Portugal, mas não sentem interesse pela sua cultura em geral e muito menos pela sua literatura, com exceção dos grandes autores que foram traduzidos ao espanhol. E aos portugueses lhe acontece algo semelhante. Mas acho que Portugal é um país muito culto e muito conhecedor da sua história e literatura e isso é muito enriquecedor quando falas com gente do mundo cultural de lá. Respeito ao Brasil, em Espanha desconhece-se quase tudo, com exceção das suas praias, do seu futebol, da sua música... A sua literatura é praticamente desconhecida. Mas quando te submerges nessas duas literaturas é um mundo inesgotável e maravilhoso.


e) Por favor, gostaríamos que você falasse sobre a Asociación Cultural PENTADRAMA, na qual é presidente.

Trata de um grupo de gente que escreve ou simplesmente tem interesse na literatura como leitor e na cultura em geral. Foi criada a associação para dar apoio a aqueles que procuram um lugar de encontro arredor da literatura, apoio nos primeiros momentos que alguém deseja publicar a sua primeira obra...

Organizamos atividades culturais diferentes. Uma dessas atividades são os “Encuentros Literarios” com autores de grande trajetória de toda Espanha principalmente. Deles aprendemos muito e permite ter contato com pessoas que doutra maneira seria difícil conhecer.Também organizamos lançamentos de livros de autores que pedem para fazer e que consideramos que são de qualidade... E fazemos recitais para dar a conhecer a escritura de todos os sócios autores. Em definitiva, tentamos manter aceso o interesse pela cultura.


f) Fale-nos sobre os poetas Galegos.  

Levo muitos anos em Salamanca e na atualidade não conheço o panorama literário galego, mas sempre li e leio os clássicos galegos como Cunqueiro, Bouza-Brey (de Cortegada também), Celso Emilio erreiro, Uxío Novoneira, Rosalía de Castro, Méndez Ferrín,... E não só poesia, mas romances de autores reconhecidos. É uma literatura de grande tradição cultural e com características muito diferentes a outras da península. Uma literatura que tem a ver com a tradição, as lutas por manter a nossa idiossincrasia, a natureza e a relação do homem com essa natureza tão poderosa, a liberdade, a força e vontade dos homens que povoam essas terras, as crenças, a magia, a irrealidade, a resistência... Sempre, voltar a ler em galego é voltar as minhas raízes mais profundas, é como voltar para casa.


g) Para encerrar, você é tradutora. Qual trabalho está realizando atualmente? E além da tradução queremos saber quais os projetos que você está desenvolvendo em sua carreira, e quais surpresas nos aguardam.

Estudei Filologia portuguesa, mas foi por puro prazer pela língua e cultura desse país. Dei algumas aulas, fazia alguma tradução esporádica que me pediam, mas nunca me dediquei profissionalmente ao português, dou aulas de espanhol profissionalmente. Mas há 5 anos conheci a um autor brasileiro, Álvaro Alves de Faria e comecei a traduzir, primeiro para que meus colegas em Salamanca o puderam ler, mas depois foi como uma obsessão, já que uma parte das suas poesias estão muito perto do que eu procuro na poesia: que sangue, que seja solidária com a dor, que expresse, transmita e consiga que o interior da pessoa sinta um terremoto, que não fique ninguém indiferente. E continuo ao traduzir, a estudar a sua obra para chegar a escrever uma tese de doutoramento sobre ele e a experiência da tradução. Os projetos, seguir a trabalhar neste autor, a traduzi-lo para dá-lo a conhecer em Espanha e a partilhar poesia com ele (temos um projeto juntos que sairá no Brasil no próximo ano, possivelmente); conhecer mais autores que me cheguem tanto em língua portuguesa como espanhola e como não, continuar a escrever e compartir poesia.




Facebook: Montserrat Villar González
Blog: montsevillar.blogspot.com
Email: montsevillar@hotmail.com

lunes, 6 de junio de 2016

TRÍPTICO EN MÁRMORE E TENRURA, Nueva crítica literaria de Francisco M. Bouzas

http://brujulasyespirales.blogspot.com.es/2016/06/montserrat-villar-gonzalez-entre-marmol.html

MONTSERRAT VILLAR GONZÁLEZ: ENTRE MÁRMOL Y TERNURA



Tierra en mármol y ternura

Terra en mármore e tenrura

Montserrat Villar González

Traducción de la versión gallega: Xavier Frías Conde

Lastura, Ocaña, 2015, 85 páginas


   En las dos lenguas madre que son la mía y la suya, la original en la que nacieron los poemas y en la gallega que los auriculares del alma escucharon en Cortegada de Baños (Ourense) durante su niñez y adolescencia, me llega hoy, y la gozo, esta antología de tres de los poemarios de Montserrat Villar: Tríptico de mármol (2010), Ternura incandescente (2012) y Tierra con nosotros (2013). En edición bilingüe, con traducción al gallego de Xavier Frías Conde, y alcanzada ya la segunda edición, vuelve Montserrat Villar a descorrer el velo de una realidad tan inasible, en ese laboratorio de la literatura que es la poesía, como con razón afirmó Natacha Michel. Y algo más, porque, como también con razón mantienen algunas tesis de Alain Badiou, la poesía es pensamiento; el poema es una operación de verdad y no solamente un sencillo o florido encantamiento retórico. Por todo ello, me reitero en lo escrito no hace muchos días: los poemas de Montserrat Villar son verdaderas operaciones de lenguaje y pensamiento, tal como hicieron los poetas de “la edad de los poetas”, esa categoría filosófica acuñada por Badiou, en la que inscribe a Mallarmé, Rimbaud, Trakl, Pessoa, Mandelshtam o Paul Celan. Como ellos, y no obstante que en los poemas de Montserrat Villar hallamos ternura, raudales de ternura, sus versos están alejados de la definición romántica.

   Sé que las comparaciones son odiosas, y no las hago. Solamente pretendo apuntar que, en el nudo de sus poemas, estos asumen, con su acción de lenguaje, bellamente modulado, un procedimiento de verdad. Máximas de pensamiento en el punto nodal del poema. Algunas veces bajo el imperativo visible de la muerte, como sostenía Trakl, o arrancando algo de la muerte, como también afirma un poeta de hoy, Juan Carlos Mestre, por tantos admirado. Otros, con la exaltación de la interioridad absoluta (Pessoa / Álvaro de Campos), o esa operación de hacer prosa de sus versos (Pessoa / Alberto Caeiro).

   Ya en la antítesis del título (mármol y ternura), quizá un estilema que Montserrat Villar hereda de la lengua poética rosaliana, con frecuencia cargada de binarismos opositivos, destacan los dos grandes ámbitos de esta antología. La beldad durísima  del mármol y esa ternura serena, y a la vez incandescente que no me atrevería a decir que la poeta hereda de su tierra madre, sino de su condición humana, porque sapiens sapiens  es ubris, desmesura, pero también intensa afectividad, un ser que ríe y llora.

   Si hay algún paradigma que no interrumpe ni vulnera los poemas seleccionados de Tríptico de mármol, ese poemario de Montserrat Villar apadrinado por Luis Eduardo Aute, este es el romántico. Libro duro, libro cruel, radiografía del dolor, según la propia poeta. Palabras de mármol, latigazos terribles en la miel, mas también resistencia al espanto, más allá de su negada  condición confesional. Por sus cortos poemas vemos desfilar las huellas del tiempo, los ojos tristes del frío que inevitablemente envuelve el cuerpo y el alma; el desaliento del presente que oscurece lo en otro tiempo sido bajo las sábanas. O cuando todo sobra, no solo las caricias, y la vida se define como inexistencia (“Me sobro yo, incluso / con mi tiempo, con mi cuerpo / que cubre aquello que / no sólo es alma.” página 21). Y nos vemos obligados a guardar cola por esas vacunas contra la melancolía. Rodeada de mundos de mármol, de seres de alabastro que se alzan fingiendo amor, la vida es igual a la de cientos de cadáveres. Es tal el dolor de la existencia que la poeta acude a Leopoldo María Panero, “el más cuerdo de los poetas”, y una obsesión para la autora, con el encargo de que suba al cielo y muestre allí el dolor, la rabia y lo que es la vida de los de aquí abajo.

   Poemas intensamente existenciales, escritos en las fronteras de la vida y del dolor, que nos conducen a los bajos fondos de la existencia, es decir, a lo más sórdido y miserable de nosotros mismos. Agujeros negros en la macrofísica de la vida.

   La contraposición semántica aludida, se hace palpable y deja sus huellas en los poemas antologados de Ternura incandescente. Ocho poemas cimentados en la base psicoafectiva que nos define, y generadora de una nueva complejidad a nivel interindividual, propia de nuestra especie, solamente en parte compartida con los mamíferos y fuente de alegría, exaltación, dichas y también de dramas y desesperaciones. Montserrat Villar, como escribe Antonio María Albalate, prologuista de Ternura incandescente, se desnuda ante nuestros ojos como una striper de los sentimientos más ocultos. La expresión del amor mediante la magia de las palabras, que dejan de ser lenguaje objeto, representación estricta, para adquirir esa otra más profunda, rodeada de un aura luminosa. Versos en los que la poeta desgrana la felicidad de tener a su lado al amado, arrullada por el deseo entre sudor y espuma; dibuja la geografía del cuerpo amado, de ese Nacho que la ata a la existencia y al que se agarra “como me asgo a la vida”. Y sus palabras no se arrugan ante esa cama deshecha, velatorio de orgasmos. Desde Baiona suplica, otra vez en forma de anáfora que produce un efecto de simetría rítmica y acrecienta el relieve semántico, para que cuando todo acabe “… la sal se confunda /  con la ceniza que la acompaña” (página 67)

   Por último, ocho poemas recogidos de Tierra con nosotros, en los que Montserrat Villar deja constancia de su visión dolorosa de la realidad. La poeta representa en sus versos el drama angustioso que cada día tiene lugar en el mundo, provocado por nuestra forma de vida suicida. Y el lenguaje se convierte en un ceremonial de conjuros frente a los poderes depredadores, mercaderes del mundo, mas también nos atañe a aquellos que nos consideramos inocentes, pero nos callamos. Paisajismo de raíz telúrica convertido en elegía por todo aquello que ese “ridicolissime héroe” (Pascal), el animal dotado de razón / sinrazón hace a diario con nuestro planeta: los cipreses convertidos en espectros sin alma, los árboles obscurecidos por las llamas en la Galicia natal, o el agua de mar hecha de lágrimas.

   Tierra en mármol y ternura reúne una amplia muestra de la singular ruta creativa de Montserrat Villar. Un territorio lírico repleto de contenidos singulares, por los que la poeta navega con maestría, dejando a un lado los excesos barroquizantes, dibujando un mapa poético en el que el registro predominante es la reflexión expectante, beligerante algunas veces, elegíaca por el dolor de la tierra otras, con desnuda y amorosa belleza cuando reconstruye su íntimo periplo amoroso, condesando en una palabra: ternura.

   Y si el lector quiere gozar por partida doble, debe leer la traducción al gallego para anegarse también en una lengua también muy propicia para la conmoción poética que producen las “xostregadas na pel”, “o abalo do amor e dos sentimentos”, “o aglaio elexiaco polas desfeitas que os seres humanos xeramos a cotío sobre o noso berce e o noso fogar”


Francisco Martínez Bouzas



                                                     
Montserrat Villar González

Selección de poemas


TRÍPTICO


“Hay un tríptico

sobre nuestra cama

que recuerda lo que fuimos:

ilusiones a pesar de

nuestro destierro.


Ahora aquí estamos

bajo estas sábanas

viviendo el presente

a pesar del desaliento.


El futuro será lo que quiera

bajo el tríptico,

entre las sábanas,

para llegar a ese mármol.”



PALABRAS DE MÁRMOL


“Cada palabra que escribo

cada palabra que callo,

me acerca más a la muerte

de la que todavía escapo.


Cada silencio que otorgo,

cada sueño que duermo,

me lleva más al borde de la nada

en la que todavía no acampo.


Palabras,

palabras de tinta,

de plata, de aire, de agua.


Palabras,

palabras de siempre,

de ahora, de nunca, de mármol.”



TERNURA INCANDESCENTE

                            Para Nacho, porque me ata a la vida.


“Dibujo la geografía de tu cuerpo,

lunares confusos en la blancura de tu piel.

Tiempo compartido

agazapado mientras me esperas,

líquido y ternura

en la palma de tus caricias.


Te reconozco en este lado de mi vida

observándome con los ojos que se aclaran

bajo el sol de los veranos.


Me sondeas y te preguntas, me preguntas

dónde me encuentro,

y tu abrazo me recupera del abismo

que me convirtió en silencio

antes de tu llegada.


Me quieres, te quiero

a pesar del dolor que causa la vida cotidiana,

la confusión de algunos años de distancia.


Me agarro a ti como me asgo a la vida

que a través de sus ojos

he aprendido a mirar.


Dibujo la geografía de tu cuerpo

y mis manos empapadas en tu olor

recorren el leve espacio que nos separa

en busca de tu anhelado sudor.”



INCIENSO EVITABLE EN GALICIA


“Gime el viento entre la sombra

de árboles ateridos de frío

decrépitos y siniestros

oscurecidos por las llamas.


Llueve, ahora, llueve

bañándolo todo de negra muerte

con olor al miedo ya vivido

al dolor aún eterizado.


Calcinadas masas de huesos

se hunden en las aguas

saltando sus ojos al cielo

mientras esperan un hálito de oxígeno.


La casa se tiñe de barro ceniciento

que devora la poca vida verde que quedaba.


Los cuerpos que respiran

arañan la tierra, limpian el hollín estéril,

esperando comer algo que no resulte

incienso evitable.”


(Montserrat Villar González, Tierra en mármol y ternura, páginas 19, 39, 58, 77)

UN GRAN MAESTRO

UN GRAN MAESTRO
UNA GRAN PERSONA

Tomando un café antes de empezar

Tomando un café antes de empezar

Presentación de Tríptico de mármol

Presentación de Tríptico de mármol
De camino a la Plaza Mayor

Los últimos consejos antes de entrar

Presentación de Tríptico de Mármol

¡Que buen público!

¡Que buen público!

Fernando Maés tocando Vacunas para la melancolía

Andrés Sudón tocando Palabras de Mármol

Una muy buena gente.

Una muy buena gente.

TODA LA FAMILIA,...